

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) finalizou nesta quinta-feira, 9 de junho, o evento Segurança em Foco, no Rio de Janeiro, com palestras sobre a categoria de Aeronave Leve Esportiva (ALE) e sobre os riscos associados a pinturas de aeronaves. Foram três dias de apresentações com especialistas e profissionais do setor aéreo para discutir sobre a segurança na aviaçãocivil. No primeiro dia do evento, realizado na terça-feira, 7 de junho , foram abordadas as ocorrências aeronáuticas, o gerenciamento de fauna, o risco baloeiro e o guia de boas práticas. Já no segundo dia, 8 de junho , as palestras trataram de aeronavegabilidade continuada, comunicação de fauna em publicação aeronáutica e passageiros indisciplinados(clique nos links para saber como foram os primeiros dias).
Aeronave Leve Esportiva
O gerente técnico de normas e Inovaçãoda Agência,Marco AurélioBonilauriSantin, palestrou sobre “Aeronave Leve Esportiva – mudanças em estudo”.Santinabordou o histórico da aviação de pequeno porte, os riscos inerentes à atividade da aviação, a necessidade da atuação da ANAC, o dilema regulatório, a certificação do produto, a agenda regulatória e a atuação internacional. O palestrante indicou que a categoria é relativamente nova e que foi constatada uma confusão entre ALE e aeronave experimental a partir de uma tomada de subsídio, em que participaram pilotos, proprietários, aeroclubes, fabricantes, universidades, entre outros.
Para complementar o tema, o gerente técnico de programas de certificação da ANAC,Pedro HenriquePaludo, realizou a apresentação “Aeronave Leve Esportiva – entendendo a categoria”, em que detalhou a forma de enquadramento, a diferenciação das aeronaves certificadas com as aeronavesexperimentais, bem como as possibilidades operacionais.
Ao elencar as diferenças entre aeronaves experimentais e ALE, fonte de confusão no entendimento conforme detectado pela tomada de subsídio,Paludoindicou que as aeronaves experimentais não demonstram cumprimento com requisitos técnicos de aeronavegabilidade, tem limitações operacionais e atividades remuneradas são proibidas. Já a ALE cumpre normas consensuais da indústria no projeto e fabricação. Quanto a atividades remuneradas, a ALE pode ser usada para treinamento e reboque de planadores.
Pintura de Aeronaves
Os especialistas em regulação de aviação civil, Luciano Predes Teixeira da Silva e Ben Hur Escobar, palestraram sobreos riscos associados a práticas delimpeza, pinturae embelezamento de aeronaves no mercado de aviação civil.Na primeira parte da apresentação, foi abordadaa definição de aeronavegabilidade, a manutenção de aeronaves, quem pode fazer aexecução e os requisitos regulamentares de execução de manutenção. Já na segunda parte, foram apresentados casos para exemplificar o tema.
Segundo Escobar, para realizarmanutenção,manutenção preventiva e alteraçãoem um artigo deve-se utilizarmétodos, técnicas e práticas estabelecidas naúltima revisãodo manual de manutenção do fabricante, ou nas instruçõespara aeronavegabilidade continuada preparadas pelofabricante ou outros métodos, técnicas e práticas aceitáveispela ANAC. Devem usadas ferramentas, equipamentos e aparelhos deteste necessáriospara assegurar a execução do trabalho deacordo com práticas industriais de aceitação geral. Se ofabricante envolvido recomendar equipamentos especiais, é preciso usar especificamente estes ou equivalentes aceitos pela ANAC.
Silva mostrou alguns casos, como o dapintura indevida em uma aeronave realizada na junção daempenagemvertical, o que provocou a fadiga nos suportes devido à perda de torque (pré-carga) nos parafusos de fixação.O uso de tinta em superfície na qual ela não era prevista para aplicação teria contribuído para a perda depré-carganos parafusos.
Outro exemplo apresentado foi o de uma aeronave que realizou um pouso forçado por falha de motor em voo. Após análises, foi verificado que o motor funcionava corretamente, mas cinco amostras de combustível apresentaram contaminação por água.Na investigação, ficou constatado que a aeronave decolou doheliponto em que osfuncionários executavam serviços demovimentação,limpeza de helicópterose segurança sem ter organização de manutençãohomologada.
Na ocasião descrita, o procedimento de limpeza dos helicópteros era executado semqualquer referência aos manuais técnicos das aeronavese semacompanhamento depessoal técnico qualificado, pois, de acordo com Silva,o gerentedo heliponto considerava a limpeza um trabalho simples, que nãorequeria treinamento específico. Neste caso, ofabricante da aeronave recomendava que não fossemutilizadas máquinas de alta pressão para a lavagem e ressaltava que alguns clientes experimentaram contaminaçãodo sistema de combustível com água após a utilização demáquinas de lavagem de alta pressão.
Assessoria de Comunicação Social da ANAC
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